sábado, 24 de junho de 2017

Histórias de Évora em dois bilhetes internéticos


Após seu concorrido lançamento no Teatro do SESC Avenida, o romance Histórias de Évora já se encontra à venda em Parnaíba, na Livraria Harmonia e na Banca do Louro, ambas situadas na Praça da Graça, ao preço de apenas R$ 20,00.

Caríssimo poeta, acabei de devorar o seu ótimo "Histórias de Évora".

Com um senso de humor invejável e apurado erotismo, jamais imaginável em um homem presumivelmente pudico e recolhido à vivência exclusivamente matrimonial, vc me  fez reviver um passado bem parecido, cheio de brincadeiras, namoricos, cachaçadas, festas, incursões aos saudosos lupanares  e demais entretenimentos de nossos tempos de antanho.

Na verdade, vejo que o poeta guardou grande gama de conhecimentos práticos acumulados em uma vida muito bem vivida numa Évora bem real, kkkkkkk.  

Seu passeio por Carlos Gonzaga, Nelson Gonçalves, Márcio Greik, Vespasiano Ramos, Humberto de Campos, Castro Alves e o clássico Beethoven, nos deliciou com a mistura do clássico com o popular. Ao transcrever uma estrofe de Castro Alves sobre olhos negros, senti falta apenas e tão somente da menção a "Seus olhos", do meu conterrâneo e superior poeta romântico, Gonçalves Dias, que aliás, poderia também ter sido citado quando da descrição dos "Olhos verdes" da loira esbelta, retilínea que tanto encantou o nosso Marcos Azevedo, vista anos depois com uma filhinha de cinco anos de idade.

Lógico que este não é um comentário de um crítico literário, mas apenas de um leitor de pouca cultura, que se viu nas linhas dessa divertida novela, digna de encômios!  

Edison Rogério Leitão
Juiz de Direito

Resposta de Elmar Carvalho:  

Caro amigo Edison Rogério,

Fiquei deveras satisfeito com seu comentário acima, por que não dizer embevecido.
Foi no âmago e na essência do romancinho.

Você observou tudo muito bem, o que demonstra que de fato você vivenciou essa bela época, e fez "prosopopeias" parecidas com as do nosso bravo Marcos.

Você lembrou com muita propriedade o nosso imenso Gonçalves Dias, Tive que podar um pouco as citações e as intertextualidades para não ser acusado de excessos nesses aspectos.

Também reduzi o número de casos picantes que poderia ter contado, para que os "críticos" moralistas não dissessem que encharquei meu livro de erotismo, embora seja a sexualidade parte da vida, ou melhor, o estopim da própria vida.

Você deve ter notado que eu "castiguei" a lourinha linda e presunçosa do início do livro, que quis esnobar o nosso bravo Marcão.

Aliás, tive um amigo escritor que leu as páginas iniciais de Histórias, o qual me perguntou se eu não iria castigar a bela cachopa ou ninfa eborense. Ele falou isso quase me instigando a fazê-lo, cobrando mesmo.

Respondi-lhe que já estava pensando nisso. Na época eu pensava em fazê-la uma decadente prostituta de nossos exemplares congressistas.

Mas fiquei com pena dela, e mitiguei o castigo, da forma que o amigo deve ter visto.
Muito obrigado pelas suas belas palavras e por sua leitura atenta.

Abraço,


Elmar Carvalho

quinta-feira, 22 de junho de 2017

Lançamento em Parnaíba de Histórias de Évora e A Menina do Bico de Ouro


SESC-PI e os autores Elmar Carvalho eRaimundo Lima convidam para o lançamento dos livros História de Évora (romance) e A Menina do Bico de Ouro (infanto-juvenil).

A abertura da solenidade será feita pelo presidente do sistema FECOMERCIO, Valdeci Cavalcante.

As obras literárias serão apresentadas, respectivamente, pelo escritor, sociólogo e historiador Manuel Domingos Neto, e pelo professor Jônathas Nunes, escritor e membro da Academia Piauiense de Letras.

Data: 23 de junho de 2017
Horário: 19 horas
Local: Teatro do SESC Avenida (Avenida Presidente Vargas)
Parnaíba - PI   
Jesualdo Cavalcanti Barros e sua esposa Socorro

MEMÓRIA DOS ANCESTRAIS

Jesualdo Cavalcanti Barros
Da Academia Piauiense de Letras

O acadêmico Reginaldo Miranda, que se vem impondo à admiração e acatamento de nosso mundo intelectual graças a uma robusta e diversificada produção literária, sobretudo no ramo da pesquisa historiográfica, brinda seu crescente público com mais uma alentada obra. Trata-se de MEMÓRIA DOS ANCESTRAIS, na qual registra a genealogia da família Miranda, a que pertence,  para cujo desiderato foi cavoucar as raízes mais recônditas do processo de colonização do Piauí. Bom que encontra a mancheias, entre os desbravadores e colonizadores pioneiros dos sertões de dentro, valorosos varões no seio dessa tradicional família, a partir do século XVII, justamente quando, no rastro do boi, começaram a fincar fazendas nos vales úmidos dos rios  Gurgueia,  Itaueira, Piauí e Canindé.

A meu ver, nada mais oportuno, posto que, desde cedo, passei a compreender que as carências atávicas do Piauí decorrem grandemente da falta de conhecimento de suas origens e vocações  e, a partir da identificação do DNA de sua formação, de serem formuladas políticas de desenvolvimento capazes de romper o círculo vicioso de seu atraso trissecular.  Tenho para mim, também, que jamais se identificará efetivamente esse DNA se se deixar  de lado o estudo das grandes famílias pioneiras, suas relações de compadrio e entrecruzamento e as implicações decorrentes da ocupação da terra escorada no grande latifúndio, isto devido ao seu parcelamento em sesmarias, distribuídas entre poucos e separadas entre si por uma légua de distância. Esse enclausuramento tenderia a formar aglomerados humanos dentro das próprias fazendas, que se converteriam nas futuras vilas, daí resultando a transformação dos donos das terras em detentores do poder político e provedores exclusivos de uma legião de agregados em suas necessidades básicas. Daí a lapidar lição de Abdias Neves segundo a qual "o piauiense fizera das fazendas o seu microcosmo."   

Por tudo isso, tomo as obras de cunho  genealógico como um suculento contributo ao conhecimento daquelas realidades que não presenciamos,  mas de cujas engrenagens  sentimos os efeitos. E por entender que não chegaremos a futuro promissor algum sem o correto conhecimento de nosso passado e a pedagogia dos bons e maus  exemplos, que nos proporciona  esse conjunto de biografias, que são as genealogias, sempre vibro  com elas. Ao contrário dos que as consideram meras exibições de enaltecimento familiar, dou-lhes inexcedível valor no complexo  das boas práticas de resgate e preservação de nossa memória. Garimpando nessa seara, talvez encontremos  o fio da meada, ou seja, a nossa história.

 Ademais,  nutro o mais profundo respeito pelos seus autores, dentre os quais eu destacaria o Dr. Sebastião Martins de Araújo Costa (Dados Genealógicos da Família Rocha),  Abimael Clementino Ferreira de Carvalho (Família Coelho Rodrigues), Edgardo Pires Ferreira (A Mística do Parentesco), Renato Castelo Branco (Os Castelo Branco d'aquém e d'além mar) e Socorro Rocha Cavalcanti Barros (Os Cavalcantes do Corrente), aos quais faço questão de juntar o competente Reginaldo Miranda (Apontamentos genealógicos da família Nunes e Memória dos Ancestrais).


O comprovado e reconhecido talento desse eminente ex-presidente da Academia Piauiense de Letras em resgatar fatos e episódios, por vezes perdidos nos desvãos de nosso passado remoto, são garantias suficientes da qualidade da obra. Daí recomendar sua leitura. 

quarta-feira, 21 de junho de 2017

UM PINGO NO OCEANO

Fonte: Google

UM PINGO NO OCEANO
                                       
Cunha e Silva Filho
           
       Muitas vezes tenho a sensação de que o mundo precisa de menos  livros. Será que estou  dizendo Uma heresia? Ou estou  exagerando? Ou estou, na condição de autor,    com  medo da competição diante de milhões de livros espalhados pelo mundo afora?        Como se poderia   fazer  uma   rigorosa  estatística dos livros que circulam globalmente? Em quantas línguas? Com quantos leitores? Em quantas editoras? Livros para todas as idades, gostos, assuntos, livros para isso, livros para aquilo. Seriam  ainda válidos os versos  magníficos, a seguir citados,  de Castro Alves (1847-1871) exaltando  o valor  dos livros:  Ó bendito o que semeia/ livros, livros à mancheia/ e manda o povo pensar./ E o livro caindo n'alma,/ é germe que faz a palma,/ é chuva que faz o mar." (...) Claro que seriam bem-vindos. Porém, o meu medo é que sejam  mal distribuídos,  mal lidos,  pouco lidos,  desprezados,  não reconhecidos, vistos com indiferença,  e o que é pior,  jogados no  lixo.
         Somos, globalmente,  uma ilha gigantesca cercada de livros. Isso é bom? E, para os bibliófilos, como ficará  esta questão geral  de publicações? Não precisamos de ir muito longe. Basta um Estado brasileiro. Quantos  autores temos num só Estado? Quantos nos chegam ao conhecimento? Quantos são conhecidos? Quantos são lidos? Quantos serão  impressos e jamais lidos  pela maioria dos leitores? Estamos afundados em livros que nunca haveremos de ler, principalmente porque não teremos  tempo de vida para fazê-lo. Que pena não podermos ler nem a milésima parte  desses livros difundidos num só país. É isso que me  incomodo  também como  leitor. E olhe que estou  me referindo a livros impressos,  não aos e-books, não aos que têm  existência apenas virtual e encontrados nos blogs, nos sites, os quais se contam aos milhares.
  São obras que não acabam mais. Seria necessário que tivéssemos várias  reencarnações a fim de que  pudéssemos dar conta da leitura  de muitos deles – milhares deles preciosos. E estou  pensando  só nos que  compõem   o número elevado no terreno  da literatura. Imagine-se nos outras  áreas do   conhecimento humano!
     Por outro lado,  existe algo que me inquieta: os livros ainda são caros, sobretudo os recém-lançados por editora  famosas. Até os dos sebos à moda  antiga, em espaço físico de uma livraria antiga, assim como os sebos  virtuais,   já têm preços elevados. Alguns, caso sejam  muito procurados,  viraram  produto  de luxo.
    Enquanto isso, os autores, muitíssimos,  estão no limbo, esquecidos quase que por completo a menos que haja um pesquisador  que,  voltando-se para o passado,   necessitem  de ler alguns desses volumes esquecidos a fim de completarem suas pesquisas acadêmicas.
    Já disse alhures que os críticos, por exemplo, hoje têm que limitar-se a períodos da história literária,  a fim de possam fazer seus recortes  de temas e de autores. O crítico militante de hoje é um  indivíduo  restrito  às  suas possibilidades de querer  estar acompanhando essa enorme  quantidade  de obras lançadas a público, nacional e mundialmente. Ou seja,  não terão tempo  suficiente nem terão tempo de vida  necessária a uma maior  dedicação às resenhas,   às análises dos livros saídos, lançados,   escritos e divulgados, quer impressos, quer  pelo  espaço virtual. Já se se foi o tempo das resenhas de rodapés das décadas de trinta,   quarenta, cinquenta, sessenta, a cargo, às vezes,  de um ou dois críticos militantes por jornal.
     O número de autores,  ruins, bons e ótimos  subiu vertiginosamente. Assim também o  número de editoras espalhadas pelo país. Levando em conta cada Estado da Federação,  com  o  aumento  do número de universidades e faculdades  privadas e o consequente número de estudantes  de todos os níveis,   proliferaram  livros e autores em todos os gêneros, didáticos,  não didáticos,  obras de referências,  obras de artes etc.
    O fato paradoxal  é que, num país com  graves problemas  financeiros e com altos índices de analfabetos  e analfabetos funcionais,  ainda assim é espantosa  a quantidade  de livros  lançados.
    Entretanto,  há dois aspectos curiosos   no meio dessa realidade  editorial:  os livros  de autores  nacionais  bem vendidos e em  edições de boa  tiragem  e  livros  igualmente de autores  nacionais  pouco vendidos e em edições  modestas. Para saber  quais  fatores  são determinantes na elucidação  desses  dois tipos de vendagem seria o  caso de ter que  se fazer um análise  aprofundada da  questão.   Some-se a isso  a circunstância de que  não sabemos ao certo se os livros bem vendidos são realmente lidos  pelos compradores, e bem assim  os poucos vendidos. 
    E o problema desse desequilíbrio ainda se agrava mais com a concorrência dos livros chamados best sellers, dos livros traduzidos,  ricamente  impressos, com  capas  chamativas,  e tendo  na retaguarda uma poderosa  logística  de  publicidade,  divulgação  e distribuição em grandes  livrarias    de potenciais   compradores   de classes mais elevadas. 
   Os autores não bafejados  por essa retaguarda de elite dificilmente  conseguirão  ter voz e vez e seus livros, em geral,  se transformam  em  encalhes  fragorosos ou  senão vão engrossar  os milhões de livros  dos grandes sebos  virtuais. 

  Os autores não muito lidos nem  muito conhecidos ou não conhecidos, por força do impulso  da criação, não desistem de escrever para se sentirem  úteis. Quem sabe, um dia  serão descobertos... Ou então, terão o destino  certo dos escritores, em vários gêneros,  que estão lá  nas prateleiras  de um velho sebo   ou nas estantes de uma biblioteca  imensa povoada de tantos outros autores  hibernando  por falta  de quem  os procure e lhes dê o prazer de um  leitura  só pelo amor  aos livros. Isso  pode acontecer numa cidade,  num Estado, num país e no mundo. Um pingo no oceano.     

terça-feira, 20 de junho de 2017

0709.01


0709.01

Walter Lima

Funcionário público inativo
Protesta no papel escritos
Em linguagem poética

“se sente entende”
Diz seu bordão típico
Abusado do ofício primeiro

Saiu literalmente pela tangente do muro
Pronunciando dia a dia
Antiga herdade das letras
Vindas incrustradas no sangue e suor

Segue seu caminhar
Mesmo que tenha de cavalgar
Cavalos, pular obstáculos do Nada
Compartilhar Peixes com Marco
Para angariar óbolo de Espólio.
   
W.Lima._
RP, SP, 07.09.2013.

segunda-feira, 19 de junho de 2017

Lançamento em Parnaíba de Histórias de Évora e A Menina do Bico de Ouro



O SESC-PI e os autores Elmar Carvalho e Raimundo Lima convidam para o lançamento dos livros História de Évora (romance) e A Menina do Bico de Ouro (infanto-juvenil).

A abertura da solenidade será feita pelo presidente do sistema FECOMERCIO, Valdeci Cavalcante.

As obras literárias serão apresentadas, respectivamente, pelo escritor, sociólogo e historiador Manuel Domingos Neto, e pelo professor Jônathas Nunes, escritor e membro da Academia Piauiense de Letras.

Data: 23 de junho de 2017
Horário: 19 horas
Local: Teatro do SESC Avenida (Avenida Presidente Vargas)
Parnaíba - PI   

domingo, 18 de junho de 2017

Diderot Mavignier lança livro sobre a província dos índios Tremembés


Diderot Mavignier lança livro sobre a província dos índios Tremembés

O historiador Diderot Mavignier lança no dia 27 o livro A Província dos Tremembés, onde trata da importância desta nação indígena na formação geopolítica e social do Piauí. É o segundo livro do parnaibano sobre o tema ao lado de No Piauhy, na Terra dos Tremembés, em 2005.

Formado em História pela Universidade Estadual do Piauí, UESPI, Mavignier é especialista em metodologia do ensino de História e membro do Instituto Histórico, Geográfico e Genealógico de Parnaíba. Com a professora e escritora Aldenora Mendes Moreira escreveu e publicou Conhecendo História e Geografia do Piauí, em 2007.


Participou em 2008 com outros escritores da obra Parnaíba de A a Z. Em 2015 lançou  A Maçonaria e a História da Independência do Piauí. O lançamento de A Província dos Tremembés será às 19h30 no Espaço de Eventos na praça Mandu Ladino, no bairro de Fátima, zona norte em Parnaíba

Fonte: APM Notícias. Fotos web.

Seleta Piauiense - Dílson Lages

Fonte: Google

O GALOPE DAS ESTRELAS

Dílson Lages (1973)

Meus olhos tocam o campo
onde cavalgamos sonhos.

Ouço o mugido do gado
preservando o encanto da noite
e galopamos na tangente do açude
onde o céu se oferece para contemplação.

A madrugada corre ensandecida.
Minhas mãos alcançam as alturas
e degusto o oásis do sertão
onde cavalgamos sonhos.   

sábado, 17 de junho de 2017

Donald Trump é cria do bairro de Fátima


Donald Trump é cria do bairro de Fátima

Pádua Marques

Donald Trump, aquele fogoió que é agora presidente dos Estados Unidos, me faz lembrar um amigo de infância lá do bairro de Fátima que gostava muito de criar confusão toda vez que a gente inventava de criar uma brincadeira ou acertar um jogo de bola. Era coisinha de nada pra ele bater o pé e, se fosse o caso, como se costuma dizer, melar a empreitada. Não vou aqui e numa hora dessas dizer seu nome completo porque ainda de vez em quando nos encontramos.

Mas tirando esse defeito, o meu amigo de infância era leal e corajoso ao extremo de comprar uma briga de murro pra si quando tinha consciência de que um de nós estava em desvantagem. Todo bairro tinha seus valentões. Naquele tempo todo menino tinha que ter no currículo no mínimo uma briga de rua. Era passaporte pra ser respeitado e lá no futuro ser admirado pelas namoradas. Foi um tempo de grande depressão econômica e os jovens da Parnaíba, assim como os americanos dos anos 30, tinham quase como diversão brigar na rua.

No bairro de Fátima era assim. Mas antes vou fazer uma observação importante que é pra depois ninguém achar que andei errando na geografia. Bairro de Fátima antigamente era um bairro grande. Começava na chamada beira da linha de trem ali pela gameleira, onde hoje funciona uma boate, e acabava onde hoje é o Tiro de Guerra. Eram, portanto dois em um, a parte baixa e a parte alta. Na parte baixa, onde eu passei minha primeira infância e a parte alta. Na parte alta tinha uma turma que era de fechar quarteirão.

Tinha gente tida como valente e arruaceira. E nessa fama dada pela briga de rua acabava sobrando pras mães. Assim ficaram conhecidos no baixo bairro de Fátima os Cão da Doca e os Cão da Calô. Não tinha um jogo de futebol que fosse, no Bariri, São Tarcísio ou fora das fronteiras que não acabasse em briga. Algumas ainda hoje lembradas com muito orgulho pelos hoje veteranos. E se o jogo era pros lados do Catanduvas, no campo do Botafogo, a coisa era feito briga de americanos com o pessoal do Exército Islâmico.

Falando em americanos, em março o presidente Trump assinou uma ordem executiva revertendo a política ambiental do seu antecessor Barack Obama. Pelo que se sabe até o presente momento os Estados Unidos vão, na observação dos ambientalistas, marchar pra trás. Os Estados Unidos vão deixar de mão o objetivo de reduzir a emissão de gases poluentes na atmosfera. Pro presidente com cara de vendedor de seguros esse negócio da redução de emissão de gases e meio ambiente degradado é conversa pra bumba meu boi dormir.

Pra ele essa conversa mole de preservação ambiental é uma porta aberta pra desaquecer a economia, fechar empresas e deixar milhões de americanos sem emprego. Pela visão dos ambientalistas e dos governos que defendem essa política é uma forma de democratizar os recursos naturais entre países pobres, ricos e os remediados. Pra que no futuro a Terra não se transforme numa panela de feijoada fumegando de tão quente. 

Mas o presidente Trump vê de outra forma. Retardando o crescimento pra priorizar cuidados com o meio ambiente, a economia americana deixa de produzir bens de consumo. E bens de consumo, computadores, smartfones, fornos micro-ondas, televisores, automóveis, máquinas de calcular, roupas, processadores de alimentos, enfim, todas essas quinquilharias que deixam o mundo inteiro gritando na porta do Armazém Paraíba em dia de liquidação, são tudo que todo mundo quer ter em casa.

Porque esse negócio de desenvolvimento é complicado. A gente entende como aquela coisa de ter acesso aos bens de consumo pra uma melhor qualidade de vida, urbana ou rural. Mas qualidade de vida respeitando o meio ambiente presume deixar de lado alguns confortos tecnológicos. Isso ninguém abre mão. Duvido. Então o presidente Trump está nessa situação. Briga com todo mundo dizendo e mostrando que tem razão ou deixa todo mundo se lascar.   

sexta-feira, 16 de junho de 2017

DEPOIMENTO SOBRE JOÃO ERNESTO ARARIPE

Fonte: Google

DEPOIMENTO SOBRE JOÃO ERNESTO ARARIPE

Alcenor Candeira Filho

     Nascido em Fortaleza-CE em 1941, o professor João Ernesto Araripe teve a partir dos doze anos de idade uma formação religiosa e militar: de 1953 a 1957 foi aluno do Seminário Arquidiocesano de Fortaleza e de 1960 a 1962 serviu ao CPOR, recebendo em razão de estágios feitos a patente de 2º Tenente do Exército. Ainda em Fortaleza iniciou três cursos superiores, todos na Universidade Federal do Ceará e não concluídos: Faculdade de Engenharia, Instituto de Física e Instituto de Matemática. Graduou-se finalmente em administração de empresas na Universidade Federal do Piauí/ Campus Ministro Reis Velloso.

     Em fins dos anos 60 ingressou no Banco do Brasil S.A. e casou-se com a parnaibana Nancy Pinheiro, fixando residência em Ubajara-CE e em seguida  em Parnaíba, onde começou a dar aulas de Matemática para pequenas turmas que se preparavam para concursos públicos e para vestibulares. Ali estava o embrião do cursinho preparatório para o vestibular – o Cobrão – por ele fundado em 1973 com a seguinte equipe de professores: João Ernesto Araripe (Matemática e Física), Maria da Penha Fonte e Silva (História Geral e do Brasil), Carlos Alberto Teles de Sousa (Inglês), Antônio de Pádua Barbosa Vieira (Geografia), Assis Sousa (Biologia e Química) e Alcenor Candeira Filho (Português e Literatura Brasileira).

     Em 1978 transformou o cursinho em colégio, inicialmente só com o ensino médio. Depois foram instituídos os cursos de ensino fundamental e primário, mantidos até hoje. Nessa época de formalização do colégio, João Ernesto pediu-me sugestões para o nome  da instituição. Forneci-lhe algumas, mas ele sem pestanejar me  disse que era grato pelas sugestões, mas a denominação já estava definida: Unidade Escolar Alcenor Candeira, mantido o nome de fantasia COBRÃO.

     Houve um período em que a procura por vagas nos 1º, 2º e 3º anos do curso de ensino médio do Cobrão era bem maior que a demanda. Campeão  absoluto em aprovação em vestibulares, o colégio mantinha cinco turmas para cada série e os alunos novatos submetiam-se então a testes  seletivos para ingressarem na escola.

     À época o colégio só dispunha de um prédio, no centro da cidade. As salas de aula foram erguidas ao lado da residência do diretor-proprietário, cuja esposa, Nancy,  fazia de sua casa uma extensão do colégio,  recebendo a qualquer hora alunos, que usavam à vontade a piscina e a quadra de esportes. Ali se reunia festivamente a “família Cobrão”. Que o digam os alunos daqueles inesquecíveis tempos.
     Algumas curiosidades:

     - ao longo de toda a existência do Cobrão o professor João Ernesto é sempre o primeiro a chegar ao trabalho, postando-se no portão de entrada para receber alunos, funcionários e professores;
     - à noite, na época em que faltava  energia elétrica com frequência, João Ernesto só entrava em sala de aula com vela e fósforo no bolso, usados sempre que necessário: o importante era não interromper  a aula;
     - as cadeiras da escola eram pregadas no piso e numeradas, de modo que cada aluno usava sempre a “sua” carteira, possibilitando que o professor não perdesse tempo com a tradicional “chamada”: servidor da escola é quem conferia as ausências;
     - a porta do gabinete do diretor é identificada com a placa – COMANDO;
     - Meus dois primeiros livrinhos de poesia – “Sombras entre Ruínas” (1975) e “Rosas e Pedras” (1976) foram feitos no mimeógrafo do Cobrão, com tiragem de 200 exemplares;
     - em 1957 o pai de João Ernesto recebeu uma carta do reitor do Seminário na qual  comunicava que lamentavelmente seu filho seria desligado daquela instituição por falta de vocação para a missão eclesiástica;
     - trabalhei no Cobrão de 1973 a 2005, deixando a atividade docente para exercer o cargo de secretário municipal  de educação

     O professor João Ernesto adotou na sua escola dois princípios simples: primeiro, recrutar professores nem sempre em função de titulação, como ser formado em pedagogia, ter mestrado ou doutorado, mas sim em razão do talento individual e do bom conhecimento da matéria que leciona, quer dizer, o que importa é a habilidade para transmitir aos alunos de forma clara e eficaz o conteúdo da disciplina. Nunca faltou ao professor João Ernesto a consciência de que as nossas faculdades de pedagogia muitas vezes formam professores incapazes de fazer o básico: entrar na sala de aula e ensinar a matéria, com cada aula devidamente planejada. Por isso pelo Cobrão passaram como professores médicos, advogados, economistas, administradores de empresas, engenheiros sem formação (formal) em pedagogia.

     Como declarou Eunice Durham, uma das maiores especialistas em ensino superior brasileiro (VEJA, 26.11.2008), “os cursos de pedagogia desprezam a prática da sala de aula e supervalorizam teorias supostamente mais nobres. Os alunos saem de lá sem saber ensinar. (...) O objetivo declarado dos cursos é ensinar os candidatos a professor a aplicar conhecimentos filosóficos, antropológicos, históricos e econômicos à educação. Pretensão alheia às necessidades reais das escolas – e absurda diante de estudantes universitários tão pouco escolarizados”.

     Segundo o professor americano Eric Hanushek (VEJA, 17.09.2008), especialista em combater com números os mitos sobre a sala de aula, “as pesquisas não deixam dúvidas: os Ph.Ds. não apenas não são necessariamente os melhores professores, como muitas vezes figuram entre os piores”.

     O outro princípio a que o professor João Ernesto sempre foi fiel é o de não permitir o absenteísmo, estranho hábito de alguns professores de não aparecer para dar aula. Ao longo de mais de 30 anos de trabalho no Cobrão, testemunhei muitas vezes, por exemplo, João Ernesto pegar o automóvel para tirar de casa o professor “sumido da sala de aula” por causa de chuva.

     Está redondamente enganado quem imagina que o interesse intelectual do professor João Ernesto é voltado apenas para as ciências exatas. Como ex-seminarista sempre teve interesse pelo latim e pelo português. De vez  em quando ele me dasafiava a estudarmos juntos a  língua de Cícero, já que sabia que eu tinha algum conhecimento desse idioma, que estudei no ginásio e no curso preparatório para a faculdade de direito, no Rio de Janeiro. Eu ria da proposta e recitava estes versos do poeta português Cesário Verde:

            “Dó da miséria!... Compaixão de mim!...
            E, nas esquinas, calvo, eterno, sem repouso,
            Pede-nos esmola um homenzinho idoso,
            Meu velho professor nas aulas de latim!...”

     João Ernesto é ouvinte contumaz de música clássica, possuindo valiosa coleção de discos nessa área: Bach, Tchaikovsky, Beethoven, Ravel, Chopin, Vivaldi, Mozart e outros.

     Hoje, aos 76 anos de idade,  ainda dirige o Colégio Cobrão e dá cinco aulas por semana, dedicando-se à educação com o mesmo entusiasmo de quando era jovem.

     Ele e Nancy têm quatro filhos, todos bem encaminhados na vida, e vários netos e bisnetos. Daqui a alguns anos eles com certeza pronunciarão a célebre frase que é privilégio de poucos: “Meu neto, dê cá teu neto”.  

CONGRATULAÇÕES PELA POSSE NA ACADEMIA DE LETRAS

Raimundo Edilson de Moreira Nunes (Didi) e sua esposa Climene 

CONGRATULAÇÕES PELA POSSE NA ACADEMIA DE LETRAS

Antônio Gallas Pimentel
  

                Quando da minha posse na Academia Parnaibana de Letras, recebi muitas mensagens de congratulações de pessoas amigas, algumas pessoalmente, outras através das chamadas redes sociais, facebook, whatsapp etc, principalmente dos amigos que residem em outras cidades ou em outros estados.
            Com o advento da Internet e o aprimoramento das novas tecnologias que tornaram as comunicações mais fáceis e mais rápidas, enviar uma mensagem via whatsapp, facebook, tweeter ou e-mail é coisa fácil e, principalmente porque tornou-se um hábito entre as pessoas.
            Dentre estas mensagens de congratulações e parabéns dirigidas à minha pessoa, uma, em forma de carta, muito me sensibilizou qual me foi entregue pelo próprio signatário, meu colega, aposentado, assim como eu, do Banco do Brasil, sr. Raimundo Edilson de Moreira Nunes, conhecido popularmente como “Seu Didi”. Ei-la ipsis litteris:

            “Caro amigo e colega Gallas,

            Você acaba de ganhar mais um fã. Você e a APL.
            A solenidade/festa ocorrida no Centro de Convenções da OAB-PI – seção Parnaíba – foi simplesmente memorável, para mim, e para todos – acredito.
            Num ambiente liberal, descontraído, saudável e por mim desconhecido, foi-me imensa e grata surpresa participar, a seu convite, de evento de tal magnitude, onde pude sorver, além do espirito de camaradagem ali existente, o alto teor de intelectualidade dos integrantes da mais alta Confraria da terra de Simplício Dias.
            Pelas biografias dos novéis acadêmicos, pude aquilatar a sabedoria e a cultura de todos, expressas nas palavras dos oradores que ali se manifestaram.
            Nestas minhas palavras, quero avisá-lo, de antemão, que longe de mim está a pretensão de disputar o pedestal por você alcançado, tendo em vista duas razões:
1ª - falta-me cabedal necessário para tão ingrata concorrência;
2ª - não desejo tornar-me imortal, e ficar como “alma penada” perambulando por ai – não faz o meu gênero, procrastinando o aparecimento de outras (almas) ou o surgimento de novos talentos na cultura Parnaibana (tudo – relativamente à 2ª razão – brincadeira de minha parte, é evidente, você há de compreender).
            D’ágora em diante, permita-me amigo imortal (não colega nessa seara), transmutar-me em critico literário, e tecer alguns comentários a respeito de suas obras “Eulália” e “La Belle D’jour”, compostas no magnifico e reconhecido internacionalmente estilo do nosso famoso Jorge Amado, que tão bem retratam o povo brasileiro, e particularmente o nordestino, com seu linguajar intimista, coloquial e cheio de sensualidade, igual ao seu – sucinto, porém completo, nos contos que li na manhã seguinte ao evento. “La Belle D’jour” – As estripulias de seu sobrinho (Prodamor ou Prodomor? – penso que personagem fictícia, não?), são semelhantes (não com o mesmo desfecho trágico) as por mim praticadas.
            A história: em Floriano (minha terra) ao lado do colégio onde estudava, havia uma pensão na qual moças do interior (mais do maranhão e todas bonitas e novas) se hospedavam para frequentar os estudos naquele educandário. Descobrimos, eu e o filho do diretor e proprietário do colégio, que do alto da caixa-d’água do prédio podíamos ter uma visão (deslumbrante) das garotas tomando banho (por certo que inteiramente peladinhas). Tínhamos uma visão, repito, como se vê, privilegiada, cinematográfica – ao vivo. Na qualidade de filho, meu companheiro de aventura facilmente “roubava” as chaves do imóvel para a nossa invasão ocular tão esperada aos finais de semana, longe da vigilância dos “velhos”, e desfrute nosso um pouco perigoso, pois a escada para atingir o alto (de madeira) balançava muito, e uma queda poderia ser fatal. Mas valia o risco, não acha você?

            Se o desfecho não foi tão traumático quanto o do seu sobrinho, o efeito foi inapagável na minha memória (dói até hoje), pois, descoberta a estripulia, o sr. Diretor que também era Promotor de Justiça (íntegro e justo) exarou o seguinte veredicto: “mocinho”(era assim que ele se dirigia a todos os seus alunos), eu pensava que o sr. era direito.
            Lá se foi o meu conceito de bom aluno, não só por culpa do filho do dono do colégio mas, e principalmente, dos hormônios, dos sonhos eróticos e do despertar da paixão carnal da juventude. Milagre; mas o seu relato fez ressurgir a libido e o tesão de um velho (melhor, idoso) de 75 anos. Na realidade, sou um cara novo... Minha certidão de nascimento é que é velha.
            “Eulália - descrição mais que perfeita para uma “ZBM”, ambiente tão do meu conhecimento e frequência, nos velhos tempos – bem entendido.
            La na minha Floriano tinha “Os Lajeiros” (da alta) e o “Pau num cessa” (dos lascados). A semelhança era total (já não existem mais) com a sua “Boate Bela Vista”. Por lá no “Pau num cessa” (de 2ª é claro) deparei-me numa noite com uma negra escultural (é o termo correto), de cuja beleza jamais esqueci e, ao adentrar o seu cubículo (e era mesmo), tive uma visão do que era o belo – simples, a porta era uma empanada de fios de plástico (não tinha, portanto, fechadura), iluminação era um tosca lamparina. Pode crer. A condição financeira não me permitia melhor escolha. Para tomar coragem tomavam-se duas ou três talagadas de cachaça (veja que o gosto/preferência já é antigo) tendo como tira-gosto, apenas, uma porção de paçoca, por sinal, mixuruca, vendida na calçada. Grana para a cerveja era miragem.
            Desculpe-me a repetição dos temas. Não foi plágio, todavia, por tudo, meus agradecimentos pelo honroso convite (para o casamento!?).
            Valeu por inteiro, notadamente pela ausência de vaidade ou ostentação.
            Gosto das coisas simples e autênticas.
            Um abração do admirador – Didi / maio / 2017 – PHB”.  

            Agradeço ao amigo e colega Didi pelas palavras elogiosas registradas em sua missiva, assim como agradeço também a todos quanto compareceram à nossa festa (minha, do Breno, do dr. Cajubá e do Padinha e da Academia) e se manifestaram acerca do evento. O negrito convite para o casamento!? Foi feito por mim, e explico: encontro-me com o colega Didi na parte interna da agência centro do Banco do Brasil e disse-lhe, em tom de brincadeira “vou mandar-lhe um convite para o meu casamento” em vez de dizer-lhe que seria o convite para a posse na APAL.


            Valeu amigo. Suas palavras me envaidecem e me estimulam a cada vez mais procurar aprimorar meu trabalho literário e jornalístico, norteado pelo senso da responsabilidade e da ética, princípios básicos para o exercício da cidadania em qualquer atividade do ser humano.      

quarta-feira, 14 de junho de 2017

Sociedades de Amigos da Marinha promovem encontro regional em Parnaíba.


Sociedades de Amigos da Marinha promovem encontro regional em Parnaíba.

A Sociedade de Amigos da Marinha do Piauí promove entre os dias 21 e 24 de junho em Parnaíba o Encontro das Soamar Região Norte quando será realizada uma vasta programação com a presença de associados e autoridades civis e militares. A chegada das delegações em avião da Força Aérea Brasileira tem início a partir das 10h no Aeroporto Internacional Prefeito João Silva Filho, bairro Catanduvas, na zona leste.

Na quinta-feira, dia 22, a programação tem início com um almoço no Restaurante La Barca, para presidentes e soamarinos visitantes seguido de um city tour. À noite na Câmara Municipal de Parnaíba será realizada a entrega da Medalha do Mérito Legislativo e título de cidadão parnaibano ao vice-almirante Alípio Jorge Rodrigues da Silva, comandante do 4° Distrito Naval em Belém seguido de jantar no restaurante Mangata, na avenida São Sebastião.

A programação do encontro tem prosseguimento na sexta-feira dia 23 às 9h com uma palestra do vice-almirante Alípio Jorge Rodrigues da Silva, comandante do 4° Distrito Naval e às 10h outra palestra, dessa vez com o comandante do 9° Distrito Naval, vice-almirante Luís Antonio Rodrigues Hecht. Ainda pela manhã o diretor do CCSM, contra-almirante Flávio Augusto Viana Rocha, profere uma palestra antes de serem encerrados os trabalhos técnicos do dia.

No final da tarde da sexta-feira, dia 23 os soamarinos visitam o complexo da Usina Eólica da Pedra do Sal, na Ilha Grande de Santa Isabel. À noite as delegações se confraternizam em um jantar no Andrea’s Buffet tendo como atrações regionais o Grupo de Danças Luiz Filho e o grupo folclórico Rei do Cangaço. No sábado, dia 24, último dia do encontro, os soamarinos participam de um passeio ao Delta do Parnaíba a partir das 8h, seguido de almoço no Restaurante Marina do Delta, porto dos Tatus. Entre as 14h e as 20h será a partida das delegações.

Fonte: APM Notícias/Pádua Marques.

Foto: arquivo SOAMAR.



terça-feira, 13 de junho de 2017

NÃO DEIXE O AMOR PASSAR

        
Fonte: Google
          
          NÃO DEIXE O AMOR PASSAR

          Valério Chaves – Des. inativo do TJPI
  
                            O poeta é um fingidor
                            Finge tão completamente
                            Que chega a fingir que é dor
                            A dor que deveras sente 
                               ( Fernando Pessoa)

A língua portuguesa como expressão cultural, é induvidosamente um dos monumentos literários dos mais belos da Humanidade e que mais de perto sonda o mais terno dos sentimentos humanos: o Amor.

No dia dos namorados (12 de junho) muitas especulações e declarações serão feitas sobre o amor, porém nenhuma delas poderá dizer o que esse sentimento essencialmente representa na vida de cada um de nós.

Cada pessoa, cada poeta e cada romancista tem uma definição própria e descrevem sugerindo seu entendimento conforme lhe parece mais adequado.

Carlos Drummond de Andrade, por exemplo, em seu poema “Os ombros suportam o mundo” (do livro “Sentimento do mundo”, 1940), mostra sua forma peculiar de ver o mundo e o amor quando escreveu ”que não seria o cantor de uma mulher” pois não cantaria amores que não tinha e que, quando teve, nunca os celebrou.

O amor drummondiano, como se pode perceber, é trágico e insatisfeito, não tem rumo certo ou ponto de chegada, mas é inevitável e ambivalente.

Contrariamente ao que escreveu em o “Sentimento do mundo” Drummond no poema “Não deixe o amor passar”, com sua incrível sensibilidade certamente dirigindo-se aos namorados, refere-se a esse sentimento como sendo um presente mandado por Deus, dizendo:

“Se o toque dos lábios forem intenso, se o beijo for apaixonante, e os olhos se encherem d'água neste momento, perceba: existe algo  mágico entre vocês. Se o primeiro e último  pensamento do seu dia for esta pessoa, se a vontade de ficar juntos chega a despertar o coração, agradeça: Deus te mandou um presente: O Amor. Por isso, preste atenção nos sinais, não deixe que as loucuras do dia a dia o deixem cego para a melhor coisa da vida: O Amor”.

Sigmund Freud (1856-1939), por sua vez, em suas contribuições à psicanálise do amor diz em seu texto que é fonte de alegria, mas é também premissa de nossos sofrimentos: quanto mais se ama mais se é feliz, mas quanto mais se ama mais se sofre.

Ainda de Drummond no poema” Amor Natural”, ele termina com estes versos eróticos:

           “Quantas vezes morremos um no outro
           No úmido subterrâneo da vagina
           Nesse amor mais suave do que o sono:
           A pausa dos sentidos, satisfeita,
           Então a paz se instaura
           A paz dos Deuses,
           estendidos na cama, qual estátuas
           Vestidas de suor, agradecendo
           O que a um deus acrescenta o amor terrestre”.   

domingo, 11 de junho de 2017

Link de minha entrevista no Sarau 16

Veja o link abaixo com minha entrevista no Sarau 16

https://www.youtube.com/watch?v=ei0IQTfT8ck


Seleta Piauiense - Danilo Melo

Fonte: Google

Náuseas

Danilo Melo (1965)

Saltitante entre as marquises
O desespero revelado de cada dia
Aqui jaz a substância humana
Armazenada em programas de computador
E a carne meus amigos,

A carne finge que é bela.
Crônicas do massacre urbano e livre
O amor enlatado e vendido com etiquetas de 1a qualidade
Aqui descreve-se a moral do ocidente escrita em boas maneiras.

Promíscua continua a poesia procurando a existência
Deserto é o coração, o homem permanece cheio
  
                Todo o cosmo ri de mim quando faço poemas
                minha linguagem é de um mundo atrasado
                Preocupado eternamente com a morte, em vez da vida.

Sente-se fome de si, e náusea.  

sexta-feira, 9 de junho de 2017

Reforma política fora de época


Reforma política fora de época

Pádua Marques

Na atual conjuntura, para usar uma expressão bem antiga, dos tempos de Jango, a tão propalada reforma política proposta pelo governo e defendida por uma grande maioria de parlamentares, passa mais uma vez à opinião pública como uma reforma oportunista e que na verdade não deve ter efeito nenhum. O atual momento político brasileiro, sem precedentes em escândalos de toda ordem e que não livra dos holofotes nem mesmo o presidente Temer, configura muita cautela.

Há dois anos ninguém que faz parte do governo ou está fora dele poderia imaginar que os escândalos de natureza da compra de apoio político alcançariam esta monta atual.  São milhões e bilhões de reais sendo utilizados por empresas para compra de licitações e favorecimentos em negócios. Muito dinheiro sendo utilizado para compra de silêncio de ministros, assessores, deputados e senadores, acobertamento de maus procedimentos, negócios escusos com bancos oficiais.

Esta ideia de reforma política defendida por uma parcela da classe política com este Congresso Nacional ou boa parte de seus membros sendo investigados não justifica uma tomada de tempo e de paciência. Os senadores e deputados federais, se dado início ao tal e tão esperado documento da reforma, estariam certamente legitimando muitos desvios de conduta dentro de um processo que vai por um bom tempo servir de baliza para a vida institucional do País.

Uma reforma política agora, proposta neste exato momento não soa bem. A mesma ideia que ouvimos recente de uma nova constituinte. Nossa Constituição é de 1988. Ano que vem comemora seus trinta anos. De lá para cá recebeu incontáveis emendas. O que se verifica no Congresso Nacional é a necessidade de, a partir do eleitor, haver mais esclarecimentos sobre o perfil de nossos parlamentares. Enquanto estivermos mandando para Brasília e para as assembleias legislativas o que há de pior dos políticos vamos ficar necessitando fazer reformas a toda hora.

Teremos eleições no ano que vem. Uma reforma política agora, feita às pressas e a olhos vistos com a única intenção desviar a atenção da opinião pública, de favorecer, acobertar, beneficiar situações, partidos, elementos e criar na população a ideia de que há um trabalho sendo realizado para melhorar as ações do governo é altamente falsa. Assim como as pretensas reformas da previdência social e trabalhista, esta tão querida reforma política não tem sentido numa hora de convulsão da governabilidade.


Enquanto isso muitas prefeituras estão fazendo o dever de casa mesmo com a escassez de recursos e as mais variadas limitações. Naqueles municípios onde os prefeitos foram reeleitos certamente se fizeram aos olhos da população uma boa administração, parabéns, continuem. Continuem fazendo por onde merecer a confiança do eleitorado. Mas naquelas prefeituras onde os prefeitos foram derrotados e que agora são da oposição, paciência. Deixem que os vencedores e atuais ocupantes recuperem o tempo e o dinheiro perdido em manter a máquina funcionando. Neste momento o que menos importa, interessa é reforma política. 

quinta-feira, 8 de junho de 2017

Expedição (espacial e histórica) ao Igaraçu





Expedição (espacial e histórica) ao Igaraçu

Elmar Carvalho

No dia 13 de maio, novamente naveguei o Velho Monge a bordo do indômito Tremembé. Saímos, por volta das onze horas da manhã, do Sítio Filomena, na Várzea do Simão, em direção à barra ou boca do Igaraçu. Natim Freitas era o comandante, coadjuvado pelo imediato Carlos Eduardo Coutinho, tendo como grumete ou recruta 000 este que escreve estas mal traçadas linhas.

Ao passar pela estação de captação e tratamento d’água de Parnaíba não pude deixar de evocar as várias pescarias de que participei, em suas imediações, na minha já distante juventude do final dos anos 1970. Pescar, pescar já seria uma estória de pescador, porque na verdade eu apenas tomava banho e umas boas talagadas de pinga.

Depois, comia uma caldeirada feita com os mais diferentes tipos de peixes, dos mais diversos formatos e tamanhos, pescados na hora pela tarrafa de hábil pescador que nos acompanhava. Quase sempre participavam da pescaria o Canindé Correia, o Vicente Potência de Paula, eu e outros eventuais convidados. De volta para casa, lavávamos o peritônio com uma cerveja bem gelada no bar do Careca, localizado na estrada do Rosápolis.

Cerca de um quilômetro após, encontramos a embocadura do Igaraçu. Era o nosso destino e meta. Contudo, resolvemos adentrar esse rio, que na verdade é uma espécie de braço do Parnaíba, como adiante explicarei. Fomos até aproximadamente dois mil metros em direção à cidade de Parnaíba, margeando a estrada que se dirige ao Céu, de nome tão bem-posto, por ser um local de paradisíaca beleza.

Vimos belas e frondosas árvores que ornam a mata ciliar, nem sempre bem conservada. Todavia, causou-nos pena constatar que, mesmo antes do término da estação chuvosa, o outrora grande rio dos tapuias já estivesse em estado deplorável; pois, embora o Tremembé seja um casco de pequeno calado, ainda assim roçava o fundo em bancos de areia, o que nos forçava tê-lo de rebocar durante pequenos trechos.

O Igaraçu, ao que tudo indica, era apenas um pequeno riacho ou Igarapé, nascido na região de Rosápolis. Creio fosse apenas um pequeno braço do Parnaíba. Leiamos o que diz Cláudio Bastos, no seu importante Dicionário Histórico e Geográfico do Estado do Piauí: “Resolução provincial nº 244, de 30-8-1849, autoriza a abertura de seu canal com a finalidade de aproximar o porto da cidade de Parnaíba do litoral e atrair navios de curso marítimo. Uma tentativa de abertura foi feita por Evaristo da Silva Meneses, em 1853, que a retoma no ano seguinte. Em 1856 o 1º tte. engº Alfredo de Barros e Vasconcelos, encarregado das obras públicas da província, é enviado a Parnaíba para verificar o andamento dos trabalhos.” Desconheço o resultado prático dessa verificação e se o engenheiro produziu algum relatório a respeito. Tampouco sei se ainda existem vestígios da tentativa de Evaristo.

A ideia de se construir esse canal, que jogaria maior volume d’água no Igaraçu, foi retomada na primeira metade do século XX pela Associação Comercial de Parnaíba, tendo como um dos principais líderes o grande capitão de indústria José de Moraes Correia, seu presidente.  O canal de São José foi construído e isso revitalizou a navegabilidade, seja em direção a Amarração, seja com destino ao porto de Tutoia – MA.

Creio seja lógico supor que, mesmo com a influência das marés, o volume d’água do Igaraçu no século XIX não permitisse a navegação de grandes embarcações. Portanto, suponho que os navios de Domingos e Simplício Dias da Silva devessem ficar fundeados em Tutoia ou em Amarração, hoje Luís Correia. As mercadorias seriam conduzidas até esses navios em embarcações menores, de pequeno calado. Ou, então, os navios não seriam propriamente navios. Mas, como já deixei bem claro, estou apenas levantando hipóteses. Deixo que os historiadores lancem luzes sobre esse assunto.


Feita essa viagem na história, retomo o meu pequenino e ousado Tremembé, faço a curva e me dirijo ao porto de origem, que será também o final. Não sem antes uma parada logística na churrascaria do Conrado, para uma rápida libação e degustação, como coroamento de nossa aventura fluvial.